quinta-feira, 16 de abril de 2009

Canção de um pobre enlouquecido


Se te procuro... Tu não estás em parte alguma.
Se te encontro... Foges logo ao ver-me.
Se te quero... Não te querer é minha paz.
Se te fujo... Estás em toda parte.
Se te apago de minha vida...
Reescreves tudo novamente
Nos meus pensamentos.

Minha infância


Oh!... O quanto sinto falta dos momentos que tive quando garoto.

O mundo me parecia tão simples e transbordado de alegrias...
O mundo era minha satisfação!]

No meu tempo de menino, tudo e todas as coisas eram possíveis...
A imaginação era um condor!]

Toda vida era debruçada nas mais felizes formas de viver...
Meu mundo alegre era o infinito!]

As brincadeiras, as festas, os amigos, tudo me parecia impregnado de eternidade...
Até mesmo a minha vida!]

Ah!... O quanto sinto falta da minha aparente grandiosa infância.

Libertação


Quem és tu?...
Quem és?
[Vida?]
Porque estás aqui?
Já não sangrei o bastante?...
[Padeci como um louco!]
O que queres?...
Vós não me atormentastes o suficiente?
[...] Como posso amar-te... Miserável e insensata?
Vós me açoitastes,
Queimastes
Esmagastes
Condenastes
Consumistes
Exterminastes.
[...]
Cansei-me de tuas promessas fugazes!...
Fujo... Morro...
Libertei-me!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Lembranças


Você que tanto me julgou,
Que tanto me abateu me degradou.
Você que tanto me humilhou,
Que tanto me prendeu me sufocou.
Você que tanto me agrediu me machucou,
Causou tanta dor, me quebrantou.
Você que tanto me fez chorar, me apunhalou,
Tantas coisas me fizeram lamentar, e nem lembrou.
Você que tanto me desmembrou... Me inquietou.
Que tanto me atormentou me incomodou.
Você... Que não mais existe para mim.
Você... Que só conquistou pra nós dois...
O fim.

domingo, 5 de abril de 2009

Shakespeareando [Premiado no concurso de literatura do MEL da Universidade de Pernambuco- FFPNM]


O teatro é a vida ou a vida é um teatro?
Nesta pergunta filosófica me indago.

Ponho-me a pensar...
À vida?
Decerto perdeste o senso!

Pois eu vos direi no entanto,
Que a vida é cheia de incertezas...

[E de encanto!]
Porém...
Temos mais do que felicidades
Contemplando o infinito do existir?
Dir-vos-ei: sim!...
Ou não!...
Não sei!
Ah!... Vida!
Tu és Tão minuciosa
Quando debruças na existência.
[Mas logo me ponho a pensar novamente...]
Pergunto-me:

O teatro é a vida ou a vida é um teatro?
Ainda distendo de qualquer resposta,
Elucubro...

[É tendes razão!]
A vida é feita de grandes espetáculos,
Grandes gracejos, grandes dramas...

[No entanto...]

De grandes lamúrias também!

De fato...
O mundo é um grande palco
Dentro dum picadeiro!...

Palhaços, intérpretes, músicos
E até mascaras.
[Mascaras?]
[...] Sim, MASCARAS!
O MUNDO veste MASCARA!
Sem sombra de dúvida, dir-te-ei:
[O teatro é o mundo!]
[...] Entretanto,
Ainda martela em minha cabeça,
Uma longínqua voz
Perguntando:

O teatro é a vida ou a vida é um teatro?
[...]
Por favor! Respondam-me!
Oh! Não tenho mais
Argumentos veementes
Para sustentar tal
E demasiada pergunta.
Alguém... Digam-me!
Se o teatro é a vida ou a vida é um teatro?
[...]
Ao menos existe vida?...
Ou teatro?

Amores remotos

Em instantes...
Teu beijo assegura-me.
Calmo e macio...
Teu cheiro ensoberbece-me.
As tuas asas...
Encobre-nos de todos os males.

A tua voz...
Soa como tino límpido.
As águas do mar...
Perdem-se em teus cabelos.
Suavemente como úmida brisa...
Sinto-te!

Teu permanecer...
Sempre na grandeza das altitudes.
Esmeraldas...
Não brilham mais que teus doces olhos.
A tua boca...
Descomedido sabor inalterável.
Ah, tua pele...
Colchões macios de desejos sem fim.
Tua língua...
Ensina-me palavras demasiadas raras
De amores e paixões perpétuos.
A tua compleição...
Faz compreender-me
Todos os tirocínios subjacentes em mim.
[A tua presença completa-me!]
[...] Pois sem tuas partes...
Jaz amputado!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Nascimento do Ser


Hoje será o dia da mais linda magia que o tempo preparou para nós...
[Meros mortais!]
Hoje as horas confundem-se se preparando para glória...
[Para o reluzente nascer do sol!]
Hoje não mais existem tristezas, hoje a vida é a infinita fuga...
[A interminável felicidade que jorra nos nossos rostos jovens e puros!]
Hoje a vida completa mais um tempo não estipulável...
[Hoje a vida são todas as vidas!]
Hoje... Gozaremos da demasiada volúpia!...
Fartar-nos-emos das incríveis façanhas...
E debruçaremos em dias nostálgicos.
Hoje...
[O universo parou para ver o nascimento dos raios sobrepujantes, que em fusão com a lua deu-se o nome de...]
[...] Beleza!
Hoje a grande essência da estrutura divina, entorpece-nos com os seus ritmos!
Hoje... Eu lembro-me como nunca pude esquecer-te!
[...]
Hoje... Deleite-se no descomedido dia da sua ORIGEM!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Cumprimento


Cumprir...
O que desde o começo
Foi constituído
Na forma veloz do desejo
E do impacto profundo
Dos ofegantes mares
Da volúpia.

Enterrar...
O que desde
Os fins dos tempos
Não mais exerce
Força alguma
Contra o inimaginável
Prazer de estar
E completar...
De amar!

Cegar...
O tempo que
Sentimos distantes
E as saudades
Que causaram tanto...
E aos mesmos olhos
Transbordarem de medo,
E no fim derramarem
O choro.

Deleitar...
No vento
Da tua voz úmida
E essencial
Para os longos dias
De existência,
Afogando-me
Dentro de tua saliva
Clara e
Demasiada rara.

Completar...
No infinito
Dos teus passos,
A minha sombra
Ao acompanhar-te
E arrastar-me
Descomedido
E sem destino,
A procura
Da tua meiguice.

Resumir...
Como dois sonhos
Ternos sem malícia,
E na delicadeza
Do véu...
Poder-te coroar
A minha
Amada!

O canto triste da loucura real

Em meio a tudo existente
A um canto que permanece intrínseco em nós,
Um canto que sendo uma mistura de realidade
Com imaginário que se funde
E transforma-se
No mais alto tom da complexidade humana.

Esse mesmo tom que passam pelas ruas,
Botecos, vielas...
Passam nas mentes puras e corrompidas
Das grandes influências
Dos descasos humanos.
Andando pelas ruas
A loucura canta...

– Eu amo a vida! Eu gosto de vocês!
Eu amo a vida! Eu amo vocês! –

E dentro de toda realidade
O social (monótono)
Escandaliza-se
Por ver atitude de tão extrema qualidade
Que em realidade não existe mais...

– Eu amo a vida! Eu gosto de vocês!
Eu amo a vida! Eu amo vocês! –

E com um ato singelo de humildade
A loucura canta com o amor
Que em toda realidade
Nunca existira...

– Eu amo a vida! Eu gosto de vocês!
Eu amo a vida! Eu amo vocês! –

Nesse canto as palavras nunca mudam,
Pois a loucura entorpeceu as letras
E o significante delas
Paira no infinito azul...

– Eu amo a vida! Eu gosto de vocês!
Eu amo a vida! Eu amo vocês! –

E sempre esse canto vai demonstrar
Que os sentimentos não têm sexo,
Não tem cor, não tem razão...
Sentimentos são apenas SENTIMENTOS!
Sentimentos lindos e perpétuos,
Caros e sofríveis,
Raros e duradouros.

Pois nesse canto triste
Da loucura real,
Afogo-me,
E não sendo mais o EU,
E sim a loucura,
Eu também canto...

– Eu amo a vida! Eu gosto de vocês
!

Eu amo a vida! Eu amo vocês! –

Eu e você


A saudade para mim
Viaja no mar
Do descontentamento contente,
Pois quando o quase
E o quando existir
Na matéria da saudade
Existirá também a força
Que alimenta esse fogo,
Esse fogo perene...
Pois é chama duradoura!...

E mesmo com toda volúpia
Dos prazeres fugazes,
Mesmo com toda benção
Do grande Baco
Descendo das nuvens do Olímpio,
E tendo detrás
De sua esplendida forma
A Glória de todos os deuses...
Isso ainda
Não me faz satisfeito,
Pois teu estar
Ensoberbece minha vida,
A tua pele
Faz-me deleitar
Em colchões suaves.

Pois essa saudade
Causa-me uma dor demasiada,
Porquanto ela me retrata
Ao não mais te possuir...
E que a ti eu tanto amei.













Uma carta de um lugar chamado “Muito Longe”.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Diversitate Diversu (brincando de teatro)


– O meu nome é Diversitate Diversu!
Sou o grande mentor
Dos pensamentos humanos,
Graças a mim
A sociedade goza
De plena harmonia.
Os Diversus conjuntos
Que fazem parte
Da minha existência
São totalidades
Múltiplas de variedades,
De convivências de idéias,
De diferentes ângulos de visão,
De conceitos de pluralidade...
Enfim,
Permaneço dentro da comunicação
E dentro da psique humana.
Estou em diferentes abordagens,
Na heterogeneidade
E variedades
Das culturas
Pré-existentes.
Estou participando sempre
Da comunhão dos contrários,
Vivo e alimento-me das
Intersecções das diferenças
E perduro nas tolerâncias
Dos conceitos radicas.
Sou Diversus Religiones,
Diversus Sexus,
Diversus Razzas e
Diversus Culturas.
Aplico-me em todas elas,
E todas elas se aplicam a mim!

– Sou Diversus Religiones!
Não sou politeísta,
Não sou monoteísta,
Não sou judeu,
Não sou budista,
Não sou muçulmano,
Não sou umbanda,
Não sou pagão,
Não sou cristão!
Eu sou a transcendência do homem,
Eu sou o respeito às ideologias,
Eu sou a indagação humana...
Eu sou o mistério do mundo!

– Sou Diversus Culturas!
Não sou pré-histórico,
Não sou clássico,
Não sou medieval,
Não sou moderno,
Não sou contemporâneo!
Eu sou o multiculturalismo
De todas as épocas,
De todas as nações!
Eu sou a antropologia universal,
Eu sou todos regionalismos...
Eu sou o determinismo cultural!

– Sou Diversus Razzas!
Não sou negro,
Não sou branco,
Não sou pardo,
Não sou amarelo,
Não sou índio!
Sou multicor,
Sou místico...
Sou o ser humano!

– Sou Diversus Sexus!
Não sou pornografia,
Não sou pederastia,
Não sou indecência,
Não sou imoral!
Sou a liberdade,
Sou o prazer...
Sou a natureza!

[...]

– O meu nome é Diversitate Diversu!
E meus privilégios...
Não são poucos.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Amor e ódio



“Pois não só quero o teu amor meu bem,
Mas também teu ódio!”

sábado, 20 de dezembro de 2008

Pernambuco mortal

– PERNAMBUCO –
Terra de coqueiros
E homens bravos...
[Glória!]

Mas, não me atenho
Ao esplendor...
[Nem tampouco aos seus encantos naturais.]

Entretanto, ao não Pernambuco das fontes,
Das belezas...
[Não as pontes!]

Ao não Pernambuco da justiça,
Da ordem...
[Não ao puritanismo!]

Ao não Pernambuco das revoltas,
Das conquistas...
[Não a praieira!]

Ao não Pernambuco dos heróis,
Dos confederados...
[Não a maçonaria!]

[...] Porém, viva!... Aos não heróis,
Franzinos...
[Jagunços!]

Viva!... Pernambuco das mortes,
Da fome...
[Segregados!]

Viva!... Pernambuco das desigualdades,
Do sangue...
[Descaso!]

Contudo, Pernambuco é meu lar,
Meu “canto”...
[Minha casa!]

– Toma uma dose! –

Pernambuco sem mais nada!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

No meu testamento
Eu quero assim...
Primeiro o nome,
O meu nome!
O nome é a chave
Primordial do infinito.

– Wilhemm Wagner –
...No cume
Esquerdo do papel!
A seguir...
O título!
Abaixo do nome:
– O testamento de Wilhemm Wagner –
[Como forma impertinente da vida após a morte.]
Posteriormente os versos...
Pedidos, desejos,
Apelos e pertences...
Pertences de valor!

[...] Valor?

Mas, leitor...
Não tenho eu nada que me valha
O tanto quanto o valor de mim mesmo...
Posso deixar?...
A mim mesmo?
Não! Não!
Vou está morto...
Morto não serve!...
Pelo menos a matéria.
Então, o que deixo?...
Sim! Sim!
Estás completamente certo!
Então deixarei
Para os meus herdeiros...
Dois livros e uma frase
[Frase que muito estimo.]

[...] Sei que queres saber!
Não agüentas mistérios
Não é?
Pois não lhe vou dizer!...
Agora não!
Deixe de ser inquieto e ansioso!
Tudo tem sua hora...
Tudo tem seu tempo!
E o meu tempo...
Ainda não cessou!

Começarei então o meu testamento,
Do qual a minha existência
Após a morte, depende inteiramente dele...
E assim eu desejo:

Primeiro – no dia da minha morte
Quero que todos os meus amigos
E até colegas prestigie-me.
[Mas, não controlo os desejos alheios?]
Eles tanto poderão ir,
Como não irem!...
[Dependerá de suas vontades e desejos.]
Seus desejos são incontroláveis!
...Pois bem!

Então vamos para o segundo desejo!
Segundo – gostaria que lembrassem
Os dias de gozos
Que tiveram comigo...
E não chorassem!
[Não chorar, creio que é ser pedir muito.]
Porém,
Lembrem que nós rimos muitas vezes,
Que somos todos eternos!...
Que nossas matérias
Sumirão,
E que no entanto,
Nós sempre estaremos vivos
Nas mentes futuras.
Lembrem-se vós que somos todos deuses,
Que decidimos nossas atitudes,
Que construímos tudo...
E todos!

[...]

Todavia, pedirei para tocarem
Um jazz-blues.
Ficaria demasiado contente
Que no dia de meu velamento
Dançassem e cantassem
Para prestigiar-me.
Seguido da chuva Machadiana...
E no percurso fúnebre
Da despedida...
As lágrimas entorpecidas de saudades
E lembranças perpétuas!

Ah!... Quereria muito
Que vós vivêsseis!...
Que vós aproveitastes!...
Que vós morrêsseis em águas claras
De velhice e sem dor.
Pois a vida – coisa estranha
Que ninguém desvenda –
Passa-se em segundos...
Minuciosos!
Porém,
Um segundo
Para um bom aprendiz...
Dura uma eternidade!

[...] E o terceiro e último...
É que não sei se dá azar
Ou não,
Fazer mais de três pedidos...
O que?...
Somos superstições
Também!
Uma vez que em vários anos
Da vida – a qual participei
Ativamente um longo período
De existência –
Vi o tempo como
Infinidade!
– O tempo infindável –
E nas mãos como papéis
E letras...
A indagação e o exorcismo!
Percebi,
Em todos esses anos de vida,
Que essa mesma vida,
É constituída
De alguns elementos
Complexos e paradoxais,
E que nossas existências fornece
Para nossas mentes
Apenas uma produção
Do imaginário invento... Surreal!
Que somos belos e tudo
E todas as coisas possuem
Estabilidades.
[...] E que agora tudo é bonito
Demais para nós.
E que tudo agora
É seguro demais para existir.


Deixarei: Memórias póstumas de Brás Cubas
E antologia poética de
Mario Quintana.
E a frase?...
Resolvi não deixar,
Pois a encontrarás em
Becos e vielas
Da vida.





"Para alguém que lê e gostar,
Pois não tenho a quem deixar.
Não tenho herdeiros,
Amigos e nem lar!"

domingo, 14 de dezembro de 2008

Transtornos


O vento ao tocar-me,
Causa em minhas entranhas
Ânsias nebulosas de desespero e aflição...
Lamentos!

O calafrio dado externamente...
Fundi-se!...
Não propriamente com o interno jogo do medo,
Mas necessariamente com meus versos.

Ao som da infinita majestade sonora,
Transporto-me para um universo sem grandezas...
Sem mais nada desse mundo estereotipado.

Não tenho mais lágrimas!...
Meus olhos ressecam diante
Da impertinente ignorância dos velhos rótulos...
Que circunda-nos!

Nas pálpebras envelhecidas...
Sinto os pesados e continuamente
Cansados tons de baixezas e bagatelas...
Deploráveis a visão.

[...] Olhos nem rostos...
Nem tatos e nem tampouco prejuízo algum
Poderá destruir o pensamento mais sensato
E mais terno:
Não há nada a provar!



quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Explosão de palavras [expressões]


As palavras são expressões dos
palatos por excelência!...
Expressos palestrantes experienciais do passado.

Expressando paladares [palavras],
Expelindo e experimentando as expirações...
Palhaços pálidos palmeiam e
Explanam explicitamente a explosão das palavras.

No palco de palha das expressões,
Palestrantes expandem expressionismos palpitantes,
Expostos como expositores das expectativas pálidas...
[palermas!].

Expor palavras, palhaços e expressões,
Explorando experimentalmente a extensão
da expoente palavra...
Expulsa paliativamente os expressos
[palatos dos expedidores].

Explanando a experiente expiração,
Paladares expõem explicitamente em palestras!...
Palavras expedem explosões de expressões!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Entre um trago e um gole


- O que busco?
- Nem mesmo sei!
- O que faço?
- O de sempre!
- O que sigo?
- Nada...
- E de vez em quando tudo!
- O que quero?
- Tantas coisas...
- Inclusive nada!
- [...] Dane-se!
- Quero um trago de cigarro!...
- E um gole de cerveja!...
- Para saciar-me!

Tempos paralelos


À vela sobre a mesa...
O tempo propício para grandes aventuras.
Imaginemos! Idealizemos!
Transfiguremos!...
Tudo que sonhamos, tudo que vivemos,
Tudo que resta-nos.

A pouca luminosidade daquela velha amiga,
Porém sempre presente nos meus épicos
(moinhos de ventos).

Traço a realidade um pouco tímida ainda,
No entanto os meus fazeres
Mostram ao mundo a minha astúcia
E perspicácia.

Mesmo aqui, com as minhas palavras
Devassas (reais),
No ponto exato que me refiro...
Sufoco-me às vezes e em todas as noites de velas.

Tendo uma figura quase desastrada
(sem forma ou com toda forma mal estruturada),
Um bigode saliente,
Uma barriga de causar inveja a qualquer fanfarrão...
Sinto-me no auge da minha compreensão.

[...] As noites aqui são muito difíceis!
[escrevo numa mesa de madeira empoeirada e desnivelada... Um pouco! E iluminada
Apenas por uma pequena vela...]

Estou sentado num banquinho totalmente robusto,
Porém professo:
“O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo”.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Loucura circense



“Ser louco é minha virtude, mas como toda virtude, e ainda mais a virtude de ser louco tem seus males, o meu martírio é de ser sempre incompreendido”.

Dialética



"... A minha barba,
Já não suporta mais
A minha estúpida vaidade...
Que repentinamente
Aplaude a si mesma."

Palhaçadas

Sou Palhaço!... Um sujeito divinal.
Uma pessoa cujo riso é sua graça.
Palhaço... A extrapolação da alegria!
O tom mais alto depois dos Deuses.
Palhaçada... Onde rir é infinito!
Estando em complexa e desalinhada sintonia,
O palhaço vive sorrindo!

Então, Vós dizeres que tudo é mentira?
Tudo é ilusão?
Tu vedes palhaços em todos os lugares?
Vós já presenciastes as graças de um bom Palhaço?
... Não me venhas com dialéticas!
O palhaço é o ser mais autêntico do universo!

O palhaço configura a graça, dando-lhe
Novas dimensões nunca vistas antes.
Ah!...Os Palhaços! Ah!...As Palhaçadas!
Nunca me esquecerei
Das boas-aventuranças de um bom palhaço.
Porém...
Até o Palhaço chora às vezes!

Corpo fechado


O mundo inteiro é um.
Somente um corpo...
De indeterminadas
Variações.

Cada ponto entrelaçando
Outro ponto qualquer.
Uma complexa rede de...
Idéias,
Sonhos,
Desejos,
Ilusões.

Uma única forma de expressão.
[...] Um único gozo,
Volúpia,
Devaneio.

Um único corpo...
[corpo proibido.]
Um único cárcere...
[cárcere descomedido.]

[...] Uma única forma de apreciar a vida...
[ser livre é apenas continuar preso...]
[preso aos grilhões do corpo.]

Onde ser livre é somente navegar...
[por entre pedras.]

[...] O mundo todo é um...
Um só modo
Uma só condição
- A condição humana -


Deuses nas nuvens


Vejo deuses nas nuvens...
Deuses esplêndidos nas alturas.
Cada nuvem, deuses diferentes.
Um conjunto de deuses do Olímpo.

Praticando esportes deuses se entretêm,
Numa combinação fantástica de cores.
Um maravilhoso mundo das potencialidades.
Deuses... Brincando de seres imortais.

Vejo Zeus com seu alto tom de poder,
Manipular os raios luminosos
De alta ferocidade para os imortais.
Observo... Heróis aprendendo com os deuses.

Avisto Héracles com toda sua força,
Movendo montanhas de fumaças.
Noto nos seus músculos a exuberância
Dos dons dotados por Zeus.

Deuses... Heróis... Imortais...
Uma união demasiada miraculosa
De complexas existências mitológicas,
Que em nuvens...
Aprofundam o universo do ser.

Elogio à loucura


Momento exorbitante...
[...] O doce perfuma daquela,
Da extraviada
Loucura!

No pálido dia...
A reluzente loucura
Presenteia-nos
Com sua rica
Lucidez!

Asseguro- me da infinita
Volúpia...
Dos contentamentos fugazes
E tempos estátuas.

Escuto o inconfundível
Tom da mais formosa
Loucura sinfônica.

[...] soa como jamais haverá
Outro tom assim...
Um improviso do jazz.

A loucura cumpre o que desde cedo
O homem descobriu...
[“a loucura é o ápice da lucidez”.]
[...] só os loucos contemplam o acaso!
Só eles vivem intensamente
Uma vida.


Só os loucos...
São loucos
Por serem autênticos!




Ordem ao Ócio



Vais, te levantas verme insensato!
Mexes-te enquanto tens tempo!
Tira da tua última gota de esperança
o escarro da tua triste vida.

Corres!... Pois o teu curto fio de vida
está próximo da infinita morbidez
que te espera ansiosamente.

Agis!... A tua matéria parou?
Teu corpo já não suporta mais
o teu caráter lúgubre.

Vais, mostra-te quem és!...
E que a lama, mascara do teu corpo,
não forjes mais o teu ser autêntico.

sábado, 29 de novembro de 2008

Tempos perdidos



Estamos em tempos de perdas...
[tempos de gerações perdidas.]

Cada pessoa perde-se ao seu gosto...
[perdem-se, por não terem um ideal.]

Seres alienados e acorrentados pela mídia...
[seres dilacerados pelas programações.]
Humanos vestidos de deuses e reis...
[mas seus corações são negros e escravos.]

Vivemos assombrosamente pelo medo e terror...
[vivemos demasiadamente pelas ilusões.]

Viciardes desconjunta as grandes façanhas...
[vícios chulos transformam tudo em mera estupidez.]

Tempo belo e bárbaro simultaneamente confundem-se no real...
[ainda vivenciamos nossos passados.]
Humanos imaturos desesperadamente sofrem...
[sofrem por estarem desprovidos da essência.]
[...] Estamos ainda em tempos de perdas...
[tempos de homens perdidos.]

Falando nisso...


Crie e remonte tudo que achares ser melhor para ti e para todos.
Debruce nas mais belas formas de viver e de prazeres,
O tanto quanto quiseres e lhe for o suficiente.
Corra muito quando precisar,
Mas também quando a existência nem o cronos lhe oferecer perigo...
Durma!
Pois já diria Raul, o que é mais venerado “é a beleza de deitar”
(não necessariamente a de dormi, mas já diz tudo: descansar!).
Cumpra com seus direitos,
Mesmo quando a força natural supera qualquer moral (regra),
Mesmo assim, cumprindo ou não,
Vivamos as nossas intermináveis farras homéricas,
Vivamos pelo simples motivo quase sempre esquecido e às vezes “vivido”...
O de estar VIVO!
Alimente sempre a chama da vida,
Pois não sabemos ou pelo menos não esperamos
Quando virá um vento muito frio,
E repentinamente... A chama foi cessada!
Sorria!... Chore!... Corra!... Durma!... Experimente!... Se abstenha!... Espere!... Fique ansiosa!... Faça nada!... Mas quando lhe der vontade: Faça tudo!
Viva e adquira experiência,
Viva e aprenda a cada dia o grande sentido da existência.
Viva e aprenda que a vida é necessariamente incerta!
Viva e aprenda que viver é um grande paradoxo.
Viva esse dia que o mundo parou e que a terra percebeu que alguma coisa importante estava acontecendo: você nascera e tudo mudou!

É preciso ter cuidado!


É preciso ter cuidado quando se vive...
E quando toda vida é debruçada
Nas mais variadas formas
De ser e representar.

É preciso sorrir um pouco,
Mesmo quando toda existência e todos os conceitos,
Juntos com também toda naturalidade
Parece se desmoronar.

É preciso ter paciência,
Pois já dissera um poeta que só temos alma,
Quando em conjunto passaremos por todos
Os “moinhos de ventos”
E compartilhamos a calma.

É preciso ter e ser um grande sonhador,
Para que todas as nossas histórias de vida
Se completem harmonicamente

sobreviva no infinito.

É preciso que tenhamos no seio humano,
Algo de extrema importância,
Como jaz escrito numa lápide:
“Tantas diferenças, mas apenas uma condição...
A condição humana".

É preciso enfim,
Que sejamos mais previsíveis,
Que compreendamos nossa história
E as nossas glórias.

Que vivemos todos em um só "pedacinho" de terra,
Comparado com todo o universo.

Que vivemos e aprendemos com todas as diferenças...
Querendo ou não.




Drummond e Eu



E agora... A música acabou!
À noite... Esfriou!
E agora? E agora?
Os amigos deixaram-me,
A cerveja esquentou...
A vida já parou!
E agora? E agora?
Acabou a comida!
Esquentou a bebida!
E agora? E agora?
Vais pra onde?
Pra onde... Vais?
Nem um trago...
Nenhum!...
Eu me abstenho!
E agora? E agora?
E agora?...
Eu só escrevo!


Guerra dos signos


- Olá! Como vais?
- Bem! Obrigado!
- E você?
- Também!
- Também o quê?
- Bem!
[...] Ah!

- Tu viste?
- Ver o quê?
- Aquilo!
- Aquilo o quê?
- O que aconteceu!
- Onde?
- Ali!
- Ali aonde?
- Naquele “canto”!
- Que canto?
- Naquele!
- E o que foi?
- Foi fogo!
- Fogo?
- Não!
- Não o quê?
- Fogo!
- Fogo?
- Não foi fogo!
- Ahn?
- Fogo não!
- “Fogo”!
- [...] Ah!

- Estás vendo?
- Não!
- Vendo o quê?
- Não!
- Ahn?
- Estás “vendo”!
- [..] Ah!

- Eu não disse!
- Tu disseste?
- Disse!
- O que dissestes?
- Aquilo!
- Aquilo?
- Aquilo do começo!
- Que começo?
- O começo de tudo!
- Ahn?
- Onde?
- Aqui!
- Aqui?
- Sim, aqui agora!
- [...] Ah!

- Não sei!
- Não sabes o quê?
- Aquilo!
- Aquilo?
- O aquilo é isso?
- É isso aqui!
- É mesmo?
- É!
- Mas como?
- Como?
- É, como?
- Como o quê?
- Não!
- Não?
- Não sei!
- Nem eu!

- [...] Oxe!

- [...] Oxe!






segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A "matrix" não está tão distante assim



Em tempo pós-moderno é complexo a nova estrutura da mentalidade humana social, discutir as realidades parece ser um bom começo para destravar alguns enigmas e signos sobre a “realidade mental” e a “realidade concreta” e como isso tudo nos envolve.
No plano existencial as realidades dividem-se em duas: A realidade mental (ou a realidade das possibilidades) e a realidade concreta (ou um pálido reflexo do mental). A realidade concreta é um reflexo de tudo que acontece dentro de nós, ou seja, o que acontece no nosso interior vai refletir tudo que acontece no nosso exterior. Mas a realidade mental, muito estudada na física quântica, pode-se dizer que é a realidade das possibilidades, onde tudo que acontece em nós é transformado nas possíveis reações da nossa vida.
Na nossa realidade (concreta), alguns físicos defendem a teoria que, vivemos o tempo inteiro, presos nessa realidade, e que não sabemos ou não podemos sair para vermos o que realmente existe lá fora. Em síntese, alguns pensadores encaram a realidade concreta, como uma forma ilusória de existir.

Pegando uma carona com Platão, e modificando um pouco sua teoria, podemos comparar as realidades mentais e concretas, com “o mundo das idéias” e “o mundo aparente”, respectivamente. A realidade mental como no mundo das idéias, ambas são produtoras de realidade e mundo aparente, elas são verdadeiramente as receptoras tanto de informações quanto de idéias.

A realidade mental assemelha-se a uma máquina de produzir realidade. Criamos a todo o momento os efeitos de realidade, que só construímos quando acreditamos serem possíveis de existirem. A cada dia nós construímos realidade, a cada manhã nós acordamos já pensando como será a nossa realidade de hoje. A mente não difere a realidade que existe dentro de nós, da realidade que existe fora de nós. Quem difere realmente ou ilusoriamente são nossos olhos que são como lentes das percepções exteriores. Entretanto, na realidade do interior da mente, quem enxerga é córtex visual.

Em suma, sinceramente penso que não existe uma definição completa de mundo concreto, porque se nós formos enfrentarmos como mundo concreto a nossa realidade aparente, vão com certeza depois afirma-nos que se trata de um erro brutal. Pois quando tudo já é concretizado, tudo fica estável, imóvel, e nós somos seres e agentes modificadores, e modificamos tudo ao nosso redor. A realidade que devemos estimular, e que podemos encontrar mais respostas para nossas indagações, está essencialmente ligada a nossa mente.

Últimos deslumbramentos



Folhas exauridas enrugam completamente.
Tonalidade velha de algodoeiros,
queimam e transformam em cinzas despedaçadas ao sol.
Poeira recaída feito névoa no inverno.
Eternidade contra o efêmero caminho.
Cegaram-se as luzes das perspectivas felizes.
Peito branco e pálido, estarrecido!
Vida branquiada por necessidade do tempo.
Pedras avelhantadas negligenciadas em vida.
Alternativa anêmica e absurdamente destroçada.
[...]
Os diferenciados ventos no passar das temporadas.
A mata maltratada e derrubada, morta, fuzilada!
Os olhos confundem-se na imagem do real.
As três pernas se entrelaçam seqüencialmente.
A queda grandiosa subvertida no abismo.
A vida trancafiada entre madeiras.
O corpo engelhado e mórbido pelo decorrer das horas.
O cheiro fétido e a eterna areia nos ombros.

O preto infinito no ar da matéria.

As lagrimas escorrem por cima da superfície.

Os sons e pensamentos...

Pararam de brotar.


A bendita reza pela educação



Peço-te pai, e rogo-lhe por eles...
Eles, os ditos mestres!
Pois são deles os deveres
de proferir pensamentos e ideologias...
[ideologias inalienáveis!].


No meu pranto, solicito-te pai...
Perdoa-os por algumas vezes!...
Logo, nem sempre sabem o que dizem...
E às vezes nem eu!


[...] Ainda no meu calvário...
Digo-te:
o Saber sofre descomedidas dores!
Os doutores e mestres
[digo-lhe, perdão! Alguns deles...]
não se aplicam como deveriam,
sendo assim, sempre permanecem pinturas clássicas...
[raras e intocáveis com todo seu esplendor e graça],
no entanto são velhas e retrógradas.

Os alunos,
não se informam para debruçar
na grande inquietude humana,
e sim para pronunciar frivolidades e bagatelas...
[informam-se para tagarelar pelos ares.]


Pai... Carrego uma cruz - pesadíssima!


No entanto, Pai...
Espero-te por respostas,
aguardo em meu seio o teu calor.
Vivo incessantemente a procura da revolução...
[perdão!... evolução! As paredes não gostam muito desse nome: re...!].


Porém, papai dos céus...
Não te esqueça de reconfigurar tudo quando vieres.

Papai... Coloca o teu agir!
Obrigado e fico muitíssimo lisonjeado de me ouvires,
e não te esqueça... Proteja a educação!

[amém!]



sábado, 22 de novembro de 2008

Árvore de sonhos


Árvore...
Arvore de sonhos!
Onde imaginar é ilimitado.
Donde os sonhos são como variações.
Aonde sonhar é o brotamento das folhas...
Nascendo e evoluindo em uma perspectiva feliz.
Tendo em si uma beleza essencialmente divina,
ela cresce com uma exuberância de cor...
Multiplica-se como o milagre do pão,
e se modela como escultura
de artesões.
[...] Sempre
sonhamos
como
folhas
brotando.
As folhas e os sonhos
Se fundem na imensa árvore dos sonhos humanos.